Viajar é uma das coisas que eu mais amo, é uma possibilidade de ver o mundo ao vivo e a cores, de ter experiências e vivências em uma dimensão mais intensa, mas foi um prazer que descobri relativamente tarde na minha vida. Confesso que conheço pouco do meu país, por que viajar no Brasil era muito caro, mesmo assim o que conheci foi de ônibus mesmo. Fiz uma vez uma viagem a Brasília de 36 horas...sim 36!!!!! Outras para Cuibá, de muitas horas também e somente andei de avião a primeira vez quando tinha 26 anos quando fui para Goiânia.
Minha segunda viagem de avião e primeira para fora do Brasil foi em 2006, quando fui passar 2 meses na Irlanda, uma viagem que foi planejada, organizada com tempo e que particularmente não me inspirava nenhuma preocupação fora das das normais, afinal, o que poderia dar errado?
Na época eu não falava quase nada de inglês, nada de francês, nem espanhol, nem nada de nada e minha maior preocupação era quando chegasse em Paris, como eu acharia o lugar que eu tinha que fazer a conexão, minha segunda maior preocupação era quando chegasse em Dublin, como eu ia me explicar e dizer que eu ia passar férias ali. Preocupações e inseguranças que fazem parte de situações novas de quem viaja sozinha a primeira vez e que ainda não está acostumado com a rotina de estar em aeroportos grandes, de ter que se fazer entender em línguas que não tem nem idéia...enfim..essas coisas...
Mas para dar um bom exemplo do que foi essa viagem para mim é fácil, por exemplo se eu tivesse que destacar um momento da minha vida digno de roteiro de cinema seria o dessa viagem, em que teve drama, suspense, terror, aventura, comédia, todos os gêneros no mesmo roteiro.
Mas hoje vou contar uma pequena parte, que talvez tenha sido a que ficará marcada na minha história como o dia em que eu deixei de ser ignorante, digo isso no sentido de ignorar, de não conhecer e de desconhecer que as pessoas são capazes de nos surpreender sempre...
O meu trajeto era Porto Alegre - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Paris (Charles de Gaulle, um dos, se não o, maiores aeroportos da Europa), Paris - Dublin.
Embarquei em Porto Alegre com tudo correndo como o previsto, após me acomodar na minha poltrona, já fiz amizade com uma mulher ao meu lado com que conversei todo o tempo e que me ajudou a relaxar.
Chegando no Rio esperei algum tempo até poder fazer o chek in, e nessas horas meu nervosismo era enorme, ao fazer o check in a pessoa que me atendeu foi muito simpática e querida, me explicou sobre a conexão, me explicou do bilhete de volta que eu deveria ter bastante cuidado para não perder ou estraviar e tentou me deixar mais tranquila possível.
Como fui para ficar 2 meses levei dinheiro em efetivo caso tivesse alguma emergência e para as minhas despesas pessoais, o demais de despesas de estadia eu já tinha acertado. Levava o dinheiro na minha bolsa e fiquei insegura na hora de entrar no avião com todo o dinheiro no mesmo lugar, assim que antes de passar para a sala de embarque, fui até o banheiro e dividi o dinheiro, deixei uma parte na bolsa e outra parte coloquei em uma espécie de bolsinho elástico que eu levava na cintura junto com meu passaporte. O uso deste bolsinho para mim era somente como medida de segurança, pois eu sabia que não estava fazendo nada errado, tanto que esse bolsinho podia ser visto embaixo da blusa justinha que eu usava no dia.
Muito bem com tudo em seu devido lugar, fui para a fila do embarque, e antes de entrar na sala para esperar o voo todos os passageiros tinha que passar por um destes detectores de metais comuns em todos os aeroportos e em deixar os objetos soltos, bolsas e casacos passar pelo raio x em uma esteira.
Até ai tudo perfeito, passei pelo detector de metais e antes de pegar minhas coisas na esteira uma das mulheres da segurança veio me revistar. Ela me revistou e depois me perguntou o que eu levava no bolsinho na cintura, eu disse:
- Meu passaporte e dinheiro.
Então ela me perguntou quanto eu levava e sem pensar por que mentir disse o valor.
Nessa hora ela me mandou pegar minhas coisas e acompanhá-la até um biombo que estava do outro lado da sala.
A partir dai meu coração parecia que ia sair pela boca, fiquei nervosa, meio atordoada, e então a pessoa que estava ali para realizar a segurança da sala de embarque em um aeroporto me disse:
- Me mostra o dinheiro, e ai eu ergui minha blusa, e abri o bolsinho.
E ela com um olhar de total superioridade falou:
- Sinto muito, mas terei que chamar a polícia, pois o que tu estás fazendo é ilegal. E continuou:
-É proibido levar dinheiro e agora te informo que você não poderá viajar!
Nessa hora, minha mente ficou me branco, eu sabia o que estava acontecendo, mas na hora senti tanto medo que não consegui reagir diferente, somente perguntei a ela o que eu deveria fazer?
E ela disse - É simples, me dá a metade do dinheiro que tu levas ai contigo que eu não faço nada e tu poderá viajar tranquila.
Gente, sei que é um momento duro de parar, mas para que o post não fique enorme, juro que continuo amanhã e conto tudo!!!
Hoje desejo a vocês uma ótima noite de domingo!!!
Beijos!
5 comentários:
Como assim??? acho que eu também seria parada...
ah, sacanagem, parou no bom da história :P
bom, volto aqui mais tarde pra ler o resto :)
Mo...
fiquei muito emocionada ao relembrar essa história...
bjss
mamy
Não achei digno o desfecho, faz o favor de voltar pra contar, isso muito me interessa!
Que absurdo, Monica! Nunca ouvi dizer q isso era proibido. Com certeza, ela disse isso pra levar metade do seu dinheiro...
To curiosa pra saber oq aconteceu depoiis!rs
Bjinhosss
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