Levo algum tempo pensando sobre minha relação com a moda, mais especificamente sobre as roupas e essa inevitável avalanche de impotência que é seguir as "tendências" a cada nova estação.
Uma amiga e eu falávamos um dia desses sobre como é difícil ser um "ser humano" que gosta de moda e roupas sem ficar frustrada frente ao apelo consumista das marcas, da publicidade, das revistas, dos blogs e tal...
Às vezes além de frustrada, me sinto esgotada já que querer ser fashion todo o tempo cansa e isso que eu não sou nenhuma "fashion victim", sou apenas alguém que gosta de saber o que se passa no mundo da moda e de vez em quando "adapta" ou "compra" algumas das ditas tendências "se" e somente "se" acho que tem a ver comigo e que realmente a usarei. E querem saber o mais irônico e contraditório é que só o fato de pronunciar a palavra T-E-N-DÊNCIA me provoca certo mal estar!!!!!
Meu marido sempre acha que tudo que eu visto me cai bem, ou quase sempre, já que quando eu vesti a primeira vez a minha calça saruel tive como comentário: é amor, essa calça não te favorece! E mesmo diante disso, não mudei de roupa, porque ora bolas a moda é assim e lembro que esse dia sai feliz e contente comigo, mesmo sabendo que aquela roupa nao me caia bem mesmo, mais contradiçao!!!!
Mas às vezes quando eu estou botando abaixo meu guarda-roupa sem saber o que vestir tendo um mini colapso nervoso porque já estamos quase atrasados para o nosso compromisso e eu estou quase soterrada embaixo da pilha de roupa ele me diz plácida e pacientemente: porque você não coloca um jeans e está tudo resolvido?
Na maioria das vezes minha resposta é: agora tu és consultor de moda por acaso? E poucas vezes digo: Ok! Resposta que em cinco minutos resolveria o maior problema da minha existência e eu conseguiria sair contente me sentido a mais bem vestido, digamos assim... do meu prédio?
Acho que por isso tenho pensado um pouco sobre isso, porque será que temos essa necessidade de vestir o que não temos, de parecer com a modelo esquálida photoshopada da capa da revista ou querer entrar em um mundo que simplesmente não está nem ai para quem você é e quais as suas necessidades? Que simplesmente pensa com o bolso? Ou mais especificamente, com o nosso $$$ no seu bolso?
Não me sinto a pessoa mais indicada a discutir sobre isso depois que eu comprei o sapato do post abaixo (mas para que conste que eu ainda estou ventilando a possibilidade de devolvê-lo... rsrsrs), mas ando cansada de "ler" palavras vazias e distorcidas do tipo "nao precisa consumir para estar na moda" ou "estar na moda tem a ver com idéias" poxa, Coco Chanel que me perdoe, mas se são justamente elas, as idéias que ficam martelando na minha cabeça e me fazem ter problemas, me fazem atrasar para os meus compromissos, me fazem crer que nao tenho o que vestir diante de um guarda-roupa cheio de roupas e que me deixam ainda mais insatisfeita.
Será que estar na moda sempre foi tão complicado ou são esses novos tempos que nos impulsionam a sermos assim, insatisfeitos e consumistas? Desde quando se vestir de forma x ou y torna alguém melhor ou pior pessoa? Ou então, desde quando ser admirado por estar na moda, possuir isso ou aquilo se tornou predicativo para ser alguém? O pior, se as pessoas que se importam conosco continuarao se importando independentemente da roupa que vestimos, por que nos importa tanto quem nao importa? Isso me faz pensar na canção de Gary Jules...Mad word...mad word!!!!!
Acho que novos tempos se anunciam, tempos em que temos que começar a pensar diferente, por isso vou tratar de fazer as pazes com o meu guarda-roupa, voltar a gostar das roupas e do que elas significam para mim e tratar a moda como algo que me faça sentir melhor.
Porque no final das contas o que importa mesmo é como nos sentimos dentro da nossa pele, já que inevitavelmente ela nos acompanhará durante todas as nossas próximas estações!
Beijos
Mônica
4 comentários:
OI Mônica, acho que o que torna os dias de hoje diferente dos dias de Coco Chanel é a rapidez com que tudo mudo, é criado, consumido e descartado. Na verdade, a economia gira em torno disso. Porque fazer um produto X ou Y (aí nem falo só de roupas, falo de todos os tipos de produtos) que vai durar mais tempo, faz com que vc consuma menos... e time is money baby! Logo, eles criam produtos descartáveis para que a gente se sinta "desta forma" e continue consumindo...
beijo, ju
Eh esse apelo da mídia e das pessoas famosas... As revistas estão aí para dizer que não somos nada se não seguimos as tendências... Ha muito tempo não me incomodo em seguir a moda ou as tendências... O que me ajudou muito é que só posso usar roupa preta para trabalhar, e nada curto ou cavado... Então já reduz muito! Gostei de uma calça preta (tão difícil encontrar uma calça aqui que me vai bem!) então comprei 3 exatamente iguais... Uso a semana toda, só troco as blusas pretas...
No início eu esperava ansiosamente o final de semana para usar outra coisa, agora uso o mesmo tipo de roupa até mesmo no final de semana! Tão mais simples!!! hahaha
E sou bem mais feliz assim!!! :)
Oi Mo!
Muito certo o que vc comenta aqui no blog.Eu acho que a nossa sociedade de hoje (e de uns trinta anos atrás) traduz o ter por ser. A equação seria assim:vc tem o último carro da moda, ou o celular mais moderno, logo, você é!
É como se estar na moda também te fizesse estar incluído em uma forma de pensar, ser e até te faz se identificar com uma classe social específica.Uma vez uma amiga me disse que as necessidades se criam, eu acho que ela tinha razão. Antes as roupas eram mais duráveis, os móveis e objetos também. Uma sociedade do consumo está diretamente relacionada com a quantidade, variedade e precariedade dos objetos oferecidos. Finalmente, nem todos têm as condições para andar na moda o tempo todo e isso não faz delas pessoas melhores ou piores.Por isso, eu acho que a moda não é nada democrática, menos ainda, a filosofia ou ideal que traz subentendida. Mas como você e como tantas outras pessoas, também gosto de ver as novidades, as vezes compro algo também (não serei hipócrita!).Mas não sofro com o fato de não ter a última calça jeans da estação ou a bolsa mais fashion. Depende muito do estilo da gente, do gosto, das necessidades e das condições $$$. Enfim, deu pra pensar esse teu post. Um beijo e ótimo findi!:)
Oi meninas!
Obrigada pelos comentários, é legal pensar um pouquinho sobre isso né, a gente vai vivendo de maneira tao atribulada e corrida que muitas vezes vamos seguindo a corrente.
Como eu disse, eu nao sou contro o consumo, até porque adoro uma loja e também tenho que dizer a verdade que adoro me vestir, é um exercício que me faz bem, o problema é quando esses dois fatores começam a nos colocar para baixo, afetam nossa auto-estima e nos deixam trsite por nao possuirmos isso ou aquilo.
Concordo com a Ju, os tempos sao outrso, hoje vivemos a celebraçao do descartável, do móvel e esse conceito se adapta a todos os bens de consumo!
Milena, sofro do mesmo problema que vc, quase nunca encontro calças que fiquem bem em mim, ou sao feitas para quem é magrinha nas pernas (coisa q eu nao sou) ou entao para quem mede mais de 1,70 (que tb nao é o meu caso) Acho que ter uniforme para trabalhar deve ser uma super mao na roda, é uma zona de conforto que acho que depois q a gente entra nao quer mais sair né...rsrsrrsrs
Nessa
Concordo em tudo que vc colocou, mas o mais erroneo é quando as coisas passam a ditar o valor das pessoas, isso é triste, já que por nao termos determinada coisa nao nos faz piores pessoas e isso que você falou sobre a democracia da moda é bem verdade, no final acabamos sendo enquadrados em seguimentos, se vc possui ou tem acesso a tal marca/produto, passa a fazer parte de determinado grupo, os que nao possuem estao automaticamente excluídos. É uma anti-democracia velada! Muito triste!
Beijos queridas
M
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